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Maria Augusta Tibiriçá, um patrimônio do Brasil, completa 93 anos hoje

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Quinta, 06 Maio 2010
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Maria Augusta Tibiriçá é a madrinha da campanha O Petróleo Tem que ser Nosso.

Hoje é aniversário de uma grande brasileira: Maria Augusta Tibiriçá. Aos 93 anos, ela mantém o vigor para luta e a consciência plena de que não há descanso para garantir que o petróleo do Brasil fique verdadeiramente nas mãos dos brasileiros.  “Temos que pensar em cada passo para chegar a vitória final.  E conseguiremos essa vitória, que não virá de forma fácil. A primeira coisa a fazer é pressionar o Congresso para impedir as concessões dos blocos e impedir os leilões da ANP”, brada.

Maria Augusta Tibiriçá é um verdadeiro arquivo vivo da luta pelo petróleo brasileiro. Atualmente é presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon), entidade criada por Barbosa Lima Sobrinho, e desde sempre combateu a sanha das multinacionais, interessadas em tomar o nosso ouro negro. Dona de uma memória invejável, ela fala das datas com total precisão e diz que “não troca sua cabeça pela de ninguém”.
 
De forma imediata, Maria Augusta Tibiriçá elenca os três pilares que deram sustentação a Campanha O Petróleo é Nosso, que levou ao monopólio do petróleo e a assinatura da Lei 2004, em 3 de outubro de 1954, criando, assim, a Petrobrás. Eis os três pontos fundamentais: ter objetivos nítidos e definidos (o petróleo é do povo brasileiro e ninguém pode tirar proveito dele) ; fazer uma campanha suprapartidária e; organizar os brasileiros de Norte a Sul.

Tibiriçá diz que a “Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso é uma etapa da Campanha o Petróleo é Nosso e as armas que foram utilizadas devem ser novamente empregadas. Temos que incrementar os trabalhos, usar todas as redes e meios possíveis”. A internet, avalia, é um instrumento valiosíssimo.

Nossa luta de agora, como na anterior, é árdua. “Conquistamos o monopólio com muita pressão, com mortes e demissões. Houve muito sacrifício. Só quem viu sabe, mas vencemos daquela vez e venceremos de novo.”, concluiu.

Como a mobilização da Campanha o Petróleo é Nosso se deu. Um relato de Maria Augusta Tibiriçá, em entrevista ao sítio Fazendo Média.

Começou com as palestras no Clube Militar. Horta Barbosa, em duas memoráveis palestras, em julho e agosto de 1947, lançou a tese do monopólio estatal. Os estudantes (UNE e UBES) logo aderiram. O general Dutra mandou para o congresso, no dia 11 de fevereiro de 48, o Estatuto do Petróleo, que era do maior entreguismo, completamente anti-patriótico. Isto ajudou o povo a se mobilizar.

No dia 4 de abril de 1948, no auditório do 9º andar da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), houve um grande ato da Liga Antifascista da Tijuca, e o secretário geral, professor Henrique Miranda ( marido de Maria Augusta Tibiriçá), lançou o Centro Nacional de Estudos e Defesa do Petróleo, que depois se ampliou para "e da Economia Nacional", para congregar todos os movimentos que já se faziam.

No dia 21 do mesmo mês, houve o grande lançamento, no Automóvel Clube do Brasil. A partir desse momento, começaram a se formar outros núcleos, nos estados. Em julho, primeiro mês nacional pelo petróleo, nós tivemos 21 comícios no Rio e sete ou nove conferências. Em São Paulo, 31 comícios e 29 conferências. O comício de lançamento, aqui no Rio, lotou a Praça do Russel, que era um espaço vazio, que permitia os comícios. Quando havia um grande motivo, fazíamos uma convenção nacional, precedida de congressos estaduais e conferências municipais. Então, por exemplo, contra o Estatuto do Petróleo: a convenção nacional foi em outubro de 1948. E foi um movimento grandioso, pois vieram delegações de todo o país.

O movimento no Centro era diário, da manhã até meia-noite. Nesse ritmo, a campanha durou oito anos. A segunda convenção foi feita em 5 de julho de 1951, com esse mesmo processo. Nesta convenção, o clima já estava de restrições das liberdades democráticas e pretendiam fechar os Centros de Petróleo. Houve violência, mas conseguimos barrar a pretensão de fechar os Centros. Depois, em 5 de julho de 1952, Getúlio já havia tomado posse e mandado, em dezembro, o anteprojeto nº 1516, contendo dispositivos muito entreguistas também.

Então, nós fizemos ao contrário: uma convenção nacional, seguida de quatro congressos regionais. Na época da votação do projeto de criação da Petrobrás, mandado por Getúlio, fizemos um outro congresso aqui. Isso fez com que Getúlio chamasse um elemento de cada partido, que era o embrião da frente parlamentar nacionalista, para dizer que a campanha tinha vencido e que ele propunha um acordo. E o acordo foi feito nos termos em que saiu a Lei 2004 depois. Ele queria que mantivesse o nome Petrobrás. Nada a opor. Ele queria que mantivessem as refinarias particulares, que nós combatíamos. Houve concordância, desde que não pudessem ser ampliadas. E não foram, até a quebra do monopólio estatal, com Fernando Henrique Cardoso. 
 
Fonte: Agência Petroleira de Notícias
Foto: arquivo pessoal
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