Opinião

União de todos para vencer o golpe

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Quarta, 08 Fevereiro 2017
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Não podemos achar que, sozinhos, a Frente Brasil Popular e  O Povo sem Medo vão derrubar o golpe, pois não vão! Precisamos unir todos os brasileiros, os de esquerda e os de direita que estão insatisfeitos, aí incluídos conservadores, civis e militares.

Por Emanuel Cancella*

Os militares nacionalistas ainda estão amordaçados pela hierarquia das Forças Armadas, onde só o comando fala. Será que todos os militares concordam com a entrega do pré-sal aos gringos? E do retorno da rejeitada base de Alcântara o que eles acham? E se eles souberem que provavelmente os EUA querem plantar essa base militar no Brasil contra a Venezuela? E sobre a prisão, sem provas, do almirante responsável pelo submarino nuclear cuja principal finalidade é proteger o pré-sal.

A Venezuela é tão vítima dos americanos quanto nós! Torna-se vital para combater o golpe que os brasileiros sejam convencidos de que o golpe no Brasil como na Venezuela não tem outro motivo senão a almejada posse do petróleo alheio. Para isso os EUA financiaram um golpe contra Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que durou apenas 47 horas. E agora ameaçam o presidente Nicolás Maduro. No Brasil, os EUA financiaram o golpe contra nossa democracia, que já dura meses, quando, usando o mote da corrupção derrubaram a presidenta eleita pela maioria dos brasileiros, sem ter cometido qualquer crime, e colocaram uma corja de corruptos no poder. Já no Oriente Médio os americanos preferiram as bombas para abocanhar petróleo.

Participei de encontros no Rio e em  Brasília,  e vou para Minas Gerais na semana que vem,  na divulgação de meu livro A Outra Face de Sérgio Moro. Nesses encontros são realizados debates, como no primeiro lançamento no Rio em que tivemos a presença do deputado federal do PT, Wadir Damus, e representantes de centrais e partidos de esquerda. Na última em Brasília, além dos sindicalistas, tivemos Tereza Cruvinel e o ex-embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Entretanto percebi que estamos sempre  apenas falando para nós mesmos, isso nos grupos de internet e em nossos atos e debates. Para derrubar o golpe precisamos ir além!

Primeiro precisamos ampliar nosso público, pois só assim conseguiremos ampliar nossa base de apoio  e aí sim, teremos força para combater o golpe. Não há outra fórmula! Colocaremos esses golpistas para correr quando convencermos a maioria da sociedade de que a luta contra o golpe representa a defesa da soberania nacional dos direitos trabalhistas e previdenciário e em defesa do futuro de nossos filhos e netos. E isso interessa a todos os brasileiros, com exceção dos golpistas!

Precisamos, por exemplo, mostrar às pessoas mais pobres que muitos de seus  filhos foram estudar no exterior através do programa Ciências sem Fronteiras e também pelo Fies, que colocou milhões de filhos de pobres nas universidades.

E os beneficiados pela “Minha Casa Minha Vida” onde estão? Foram contemplados aí mais de três milhões de brasileiros. Tudo isso está sendo destruído pelos golpistas e, caso não façamos nada, em breve, estaremos voltando para o mapa da fome da ONU. Já temos agora 12 milhões de desempregados e estamos retornando os brasileiros para baixo da linha da pobreza. Na época do Lula tínhamos alcançado praticamente o pleno emprego.

Os golpistas, tanto do Brasil como na Venezuela, têm um plano “B”, que é viver em Miami para onde fogem normalmente os traidores da pátria de nosso continente, depois de fracassados seus golpes.  Eles correm para o país que os financiam! Ao contrário da maioria de nós, que tudo dando errado, mesmo querendo não poderíamos cogitar de sair do Brasil, muito menos poderíamos mandar nossos filhos para estudar no exterior.

Não precisamos buscar fórmulas externas para barrar o golpe! A Campanha “O Petróleo é Nosso!”, nas décadas de 40 e 50, foi um exemplo bem sucedido de mobilização. Naquela campanha, muitos brasileiros foram perseguidos e mortos, mas felizmente resultou na criação da Petrobrás e do Monopólio Estatal do Petróleo.   Precisamos unir novamente nossa gente contra o golpe e em defesa do futuro do Brasil. Juntos e unidos: militares, civis, comunistas, conservadores e estudantes.

Antes que destruam nossa pátria amada, vamos organizar a campanha “O Brasil é Nosso!”

 

*Emanuel Cancella é coordenador da Secretária Geral do SINDIPETRO-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)

 

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