Opinião

Petrobras: é hora de seguir os passos da Rússia e recomprar as ações

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Quarta, 21 Janeiro 2015
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"Em meio a tantas denúncias, a imagem da empresa sai arranhada. Mas existem meios de virar o jogo a favor do povo brasileiro"



Por Lucas Ferreira*

De um limão, pode-se fazer uma limonada. Escândalos de corrupção na Petrobras estampam as capas dos jornais, dominam os noticiários televisivos e tomam contam das ruas. Em meio a tantas denúncias, a imagem da empresa sai arranhada. Mas existem meios de virar o jogo a favor do povo brasileiro.

A opinião pública não consegue distinguir claramente. Mas existe uma grande distância entre corruptores,  gerentes corruptos; e os  trabalhadores que dedicaram os melhores anos de suas vidas para fazer da companhia uma potência. Recentemente   a Petrobrás se tornou a maior produtora de petróleo entre as empresas de capital aberto no mundo, superando a norte-americana ExxonMobil no terceiro trimestre de 2014. A ExxonMobil produziu 2,065 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) no terceiro trimestre, enquanto a Petrobrás alcançou a marca de 2,209 milhões de barris/dia no mesmo período. Esse é apenas um exemplo daquilo que a Petrobras representa, apesar dos maus políticos, maus gestores e maus empresários.

Quem, de fato, coloca os interesses do Brasil e dos brasileiros acima de tudo, deve apoiar a punição dos criminosos do colarinho branco, mas preservar a empresa que promove o desenvolvimento do país e gera tantos empregos. No momento em que chegam a valores tão baixos, o governo deveria comprar de volta as ações que nunca deveriam ter sido vendidas.

Deu certo na Rússia. Diante de uma crise semelhante, o governo russo recuperou 30% dos seus ativos de petróleo e gás, que foram detidos pela Western financeira. "A Rússia fez uma jogada de xadrez inesperado", descreveu o jornal InSerbia, da Sérvia, ao comentar a recompra, pelo governo russo dos papéis desvalorizados pela queda do rublo e pela ação de especuladores

É uma ilusão, que está sendo vendida ora velada ora abertamente,  acreditar que a privatização é o melhor caminho. Grande parte da mídia está fazendo esse jogo. Alguém acredita que não existe corrupção nas empresas privadas? Basta dizer que os principais  corruptores são os empresários do setor privado.

Mas a condição de público ou privado não é o fator que determina os desvios de recursos da empresa.  O controle social é a melhor forma de minimizar a ação dos corruptos e corruptores. A Petrobras deve se manter estatal, por seu papel estratégico, mas sendo fiscalizada pelos trabalhadores. Isso é fundamental para que os interesses nacionais estejam acima dos interesses de grupos privilegiados – os mesmos que continuarão a se locupletar, se a tese da privatização vingar.

Quem tem compromisso com o crescimento e a seriedade da Petrobras é o povo brasileiro, sobretudo seus milhares de trabalhadores diretos e indiretos. A própria criação da empresa, em 1953, foi o resultado da mobilização popular que ganhou o país e forçou a adoção do monopólio estatal do petróleo.

Também não é justo tratar a corrupção na Petrobras como “novidade”. É coisa antiga a apropriação do público pelo privado, por meio de benesses a empresários e políticos, em detrimento dos interesses do povo e da nação brasileira.  Tão antiga quanto os traços de clientelismo e fisiologismo que permeiam a sociedade brasileira desde sempre. E que devem ser combatidos.
Mas se está empenhada em fazer justiça e mudar essa cultura, a sociedade precisa cobrar com o mesmo empenho a apuração da denúncia de pagamento de propina no metrô de São Paulo; a construção, com dinheiro público, do aeroporto no município de Claudio, em Minas Gerais, pelo então governador Aécio Neves, em terras de sua própria família, com dinheiro público. Sem falar nos escândalos da privataria tucana, soterrados pela mídia.

Toda a sociedade civil, organizada ou não precisa tomar as ruas e as redes sociais, exigindo a punição exemplar dos corruptos e corruptores, com o confisco dos bens dos mesmos, venham de onde vierem. O caminho da moralização é a volta do monopólio estatal, com a Petrobrás 100% nacional e pública, com a reintegração de todas as suas subsidiárias e sob controle dos trabalhadores.

*Lucas Ferreira é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e Diretor Regional do DIEESE

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