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Condução coercitiva revolta trabalhadores do BNDES

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Sexta, 12 Maio 2017
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Ação espetaculosa da Polícia Federal, conduzindo os trabalhadores diante das câmeras das emissoras de TV, foi considerada uma arbitrariedade.

Por Fátima Lacerda*

Funcionários do BNDES fizeram nesta sexta-feira (12), em frente à sede do Banco, no Rio, um ato em solidariedade aos seus colegas, conduzidos coercitivamente pela Polícia Federal, na deflagração da Operação Bullish que investiga empréstimos concedidos à empresa do ramo alimentício JBS, desde junho de 2007. A ação truculenta da PF, transformada em espetáculo midiático, foi comparada às práticas da ditadura civil-militar.

O presidente da Associação de Funcionários do BNDES, Thiago Mitidieri, cobrou da direção do BNDES explicações públicas, resguardando a imagem dos funcionários que em momento algum se negaram a prestar esclarecimentos sobre o trâmite burocrático dos empréstimos concedidos:

“Se a direção do BNDES não for a público na defesa dos nossos colegas, o BNDES vai parar” – ameaçou Mitidieri.



O que incomodou os colegas de trabalho foi a forma arbitrária e burlesca como foram levados a depor os funcionários que detinham informações sobre os empréstimos concedidos à JBS, como se fossem bandidos e diante das câmeras de televisão, previamente avisadas do que iria ocorrer:

“Essa truculência não se justifica. Aos olhos da população, se um funcionário é conduzido pelo braço por um policial, que chega repentinamente e sem aviso no seu local de trabalho, em seguido é levado num carro da PF, diante das câmeras da TV, a priori esse trabalhador já é taxado de bandido, corrupto e ladrão. Isso é uma estupidez. Os funcionários do BNDES não têm nada a esconder. São pessoas éticas, sérias e dispostas a colaborar com as investigações. Repudiamos veementemente o que aconteceu” – declarou Mitidieri.

A Daniel Spirin, do Coletivo de Comunicação Popular/PT, Mitidieri afirmou, em depoimento gravado:

“A sociedade não pode pensar que esse tipo de coisa é necessária. Até o momento não há nada contra o corpo funcional nem contra o banco. Estamos aqui. Não precisa ir acordar ninguém em casa, levar colega grávida de 39 semanas para depor. Existe um processo de destruição do BNDES e de outras empresas em curso, isso é um fato. Se a gente ficar acuado, estamos perdidos”.

O secretário-geral do Sindipetro-RJ e coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Emanuel Cancella, compara o caso do BNDES com o da Petrobrás:

“Está acontecendo uma caça às bruxas, politicamente direcionada. Não se trata de apurar a corrupção. Isso é cortina de fumaça. Na Petrobrás, os escândalos encobrem a corrupção consentida que é a liquidação da empresa.

Pedro Parente, está vendendo tudo sem licitação, escolhendo o comprador e pelo preço que determinam. Enquanto isso, espalha-se o terror na Petrobrás. Funcionários estão sendo punidos por crime de opinião e até gerentes tiveram seus PIDV retidos, por conta de processos administrativos”.

Cancella acredita que governo golpista de Michel Temer quer rever todos os contratos realizados nos governos do PT. Isso estaria por trás da Operação Bullish:

“Quem mais interesse tem no combate à corrupção somos nós, trabalhadores. Tanto da Petrobrás como do BNDES. Inclusive, se é para punir os maus gerentes, que tal investigar o atual presidente da Petrobrás, Pedro Parente, e a presidente do BNDES, Maria Silvia? Aliás, ambos são réus em uma ação que envolve a venda de ativos, ainda no governo FHC, movida por petroleiros” – afirmou Cancella.

A presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques estava em Brasília quando a operação estourou, prometendo um pronunciamento até o fim do dia.

A PF cumpriu nesta sexta-feira 37 mandados de condução coercitiva e 20 de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Bullish.

Fonte: Fatima Lacerda é jornalista da Agência Petroleira de Notícias.

Fotos: Maíra Santafé

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