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Ativistas defendem abertura das universidades aos fazedores da comunicação Imprimir E-mail
 
Publicada em 18/06/08 15:34

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Ativistas defendem renovação dos currículos e abertura das universidades aos fazedores da comunicação alternativa

Fórum discutiu formação para a mídia livre


 
 
Rodrigo Brandão*

No sábado, dia 14, véspera da plenária que definiu os eixos de luta e os próximos passos do movimento pela mídia livre, os participantes do I FML se dividiram em cinco grupos de trabalho para discutir os principais temas do Encontro. Do grupo de trabalho "Formação para a Mídia Livre", coordenado pela diretora da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), Ivana Bentes, saíram seis resoluções que foram incluídas no documento final, a maioria destacando a importância de unir as experiências dos chamados fazedores da mídia livre (ou alternativa) e dos educadores que formam profissionais nos cursos superiores de Comunicação Social.
 
FML pede fim da discriminação a comunicadores sem diploma de jornalismo

Os midialivristas também decidiram iniciar - e propor em outros fóruns da área de comunicação social - um debate sobre a obrigatoriedade do diploma e do registro profissional para o trabalho do jornalista. "Muita gente boa está aí fazendo mídia, sem ser formada em universidades. Não podemos colocar uma amarra legal nessas pessoas, embora reconheçamos que o movimento sindical teme a precarização como conseqüência de uma possível desregulamentação. Temos que discutir essa questão sob o ponto de vista do midialivrismo", defendeu durante os debates a professora Ivana Bentes.

O movimento midialivrista lutará por reformas no currículo dos cursos de comunicação social para incluir mais disciplinas de mídia livre (como Novas Mídias, Tecnologia Wiki, Plataformas e Mídias Colaborativas) e conscientizar os estudantes para os novos conceitos na área da comunicação. São estas as resoluções do I Fórum de Mídia Livre no campo da formação:

- promover, junto com as universidades, cursos de extensão em parceria com os fazedores de mídia e estimular a criação de disciplinas específicas de mídia livre 

- promover e propor amplo debate sobre a exigência do diploma de jornalistas na perspectiva dos midialivristas e ampla discussão sobre os atuais currículos

- lutar pela implantação de pontos de mídia, como política pública, nos moldes do pontos de cultura criados pelo Ministério da Cultura. Através dos pontos de mídia, comunicadores receberiam infra-estrutura tecnológica e pública para produzir, distribuir e difundir mídia

- criação de plataforma de convergência da produção de mídia livre, no estilo colaborativo (ambientes wiki, com a página da internet Wikipédia)

- propor a inclusão da produção audiovisual no currículo do ensino básico (1ª à 5ª séries)

- buscar espaços para exibição de conteúdo produzido por movimentos sociais na TV pública

- dar visibilidade à diversidade dos sujeitos e discursos, incluindo as diversidade de gênero, étnico-racial e regional na educação e na mídia
 
Mídia popular no campo, nas favelas e nas periferias

O debate no GT Formação para a Mídia Livre, que a exemplo dos outros grupos de trabalho ocupou uma sala de aula na Escola de Comunicação, foi rico em idéias e relatos de experiências. O dirigente do MST Mardônio Barros falou sobre os projetos do Movimento dos Sem Terra no setor, como o Jornal Sem Terra, a Revista Sem Terra, o portal do MST na internet, as webrádios e o próprio Brasil de Fato – este último em parceira com outros movimentos sociais.

Mardônio destacou a importância de a comunicação popular utilizar novos conceitos e definir como claro objetivo a radical transformação do Brasil (superando definitivamente a etapa capitalista). "Temos sofrido diretamente a violência e a desinformação da mídia burguesa, que nos apresenta como vândalos e marginais. Então o desafio é grande, porque precisamos formar a militância para se apropriar de técnicas e meios, produzindo a partir daí comunicação contra-hegemônica para dentro e fora do MST".

Márcio Blanco, do Observatório de Favelas (que atua principalmente no Rio de Janeiro, também em bairros de população de baixa renda), defendeu que as oficinas em favelas e periferias trabalhem com os jovens a mudança dos conceitos, estigmas e imaginários sobre a pobreza. "Eles devem ser estimulados a colocar nos filmes que fazem, por exemplo, sua própria linguagem e sua própria maneira de se expressar", defendeu. Blanco foi voz dissonante no FML sobre a real eficácia de algumas mídias colaborativas: "Muitos jovens que lotam as lan houses (lojas de acesso à internet) preferem sites como o orkut e precisam ser estimulados a utilizar de forma mais eficiente essa importante ferramenta".
 
Críticas a ONGs

Daniel Fonseca, professor da Universidade Federal do Ceará (UFCE) e coordenador da Rádio Universitária local, criticou programas de capacitação em bolsões de pobreza, do tipo "ongueiro". Segundo Fonseca, uma pesquisa acadêmica no interior do Ceará verificou que projetos de comunicação limitam a inscrição nos cursos apenas aos jovens mais carentes. "Precisamos tomar cuidado para não formar fazedores de mídia como antídoto contra a cooptação da juventude pelo crime. Não dá pra dar esse caráter preconceituoso à formação para a mídia", advertiu.

O educador atacou ainda a formação "para o mercado" e cobrou a definição de um conceito de mídia livre. "O que queremos ao ensinar e fazer mídia livre? Devemos disputar o público que hoje vê a Globo ou utilizar as ferramentas para reorganizar o povo no Brasil pós-governo democrático-popular (referindo-se à Era Lula).

A jornalista Zilda Ferreira, convidada ao FML para falar sobre o conceito de educomunicação (que funde educação e comunicação), festejou o fato de os colegas debatedores terem resgatado, comentando suas próprias experiências e seus conceitos o método de ensino de Paulo Freire, cuja base, aplicada à comunicação, constitui a própria definição de "Educom". "A Educomunicação é, por exemplo, uma forma de promover a educação sócio-ambiental no ensino superior. O problema da educação sócio-ambiental reside no desvirtuamento da informação e da comunicação nessa área", definiu.

Para Ivana Bentes, diretora da ECO, o debate refletiu a diversidade que a própria mídia livre busca expressar. "Trouxemos fazedores de mídia livre e professores de comunicação que ensinam mídia livre. A universidade precisa urgentemente se abrir a novos conceitos e experiências de formação", concluiu.

 

* jornalista, fez parte do Comitê Organizador do I Fórum de Mídia Livre


Confira tudo sobre o movimento da mídia livre no blog do FML (http://forumdemidialivre.blogspot.com). Vídeos e fotos dos debates em www.cartamaior.com.br, www.revistaforum.com.br e www.eco.ufrj.br


   
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